Uma canção de David Bowie está rolando, ao fundo, enquanto escrevo estas linhas. Depois, uma dos Animals de Eric Burdon e tenho certeza que o aleatório do meu mp3player continuará selecionando - nesta manhã meio nublada, meio ensolada - o melhor que os meus ouvidos puderem escutar.
As manhãs de setembro não costumam ser assim como esta. Surgem pungentes e iluminadas, decretando a proximidade da primavera e os encantos daquele que considero o melhor mês do ano. E não é porque eu nasci no vigésimo dia de setembro. É porque setembro é mágico para todas as pessoas, mesmo as que nasceram lá do outro lado do calendário, em uma espécie de "Japão" cronológico e imaginário. Setembro encanta e eleva. Não foi a toa que o nono mês foi escolhido para representar o mês da vida, o "Setembro Amarelo", em uma campanha pela valorização da vida e contra o suicídio.
Ontem, próximo de onde trabalho, um homem tentou se suicidar, de uma maneira no mínimo, bizarra: Desceu da moto em que estava, subiu em um poste e tocou nos fios de alta-tensão. Coitado. Se tivesse esperado ao menos por mais um dia, talvez se sentisse enebriado pelos ventos esperançosos de setembro e desistisse da estúpida ideia.
Quisera eu que todos os meses fossem setembro. Mas também, "setembrizar" os outros onze meses depende exclusivamente de nós. A vida é bela, a vida é feia, é curta e duradoura. Cabe a nós fazer da vida o que a vida faz conosco. Está em nossas mãos. E dá licença que eu vou ali ensinar o vizinho a cantar, antes que esta primeira manhã termine.

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