Acordei de sobressalto, sem saber direito onde eu estava. Esperei aqueles três segundos após um bom cochilo para acordar de verdade e me localizar, mas os três segundos viraram trinta, um minuto, dois, cinco e eu continuava sem saber o que fazia naquele trem luxuoso em alta velocidade atravessando uma paisagem completamente desconhecida e aparentemente estrangeira.
Notei que havia uma moça sentada algumas poltronas à frente e estávamos sós naquele vagão. Me aproximei, a cumprimentei em inglês e, sem mais delongas, perguntei-lhe onde estávamos.
- Perto de Maieq. Logo chegaremos lá.
Fiquei sem jeito de fazer uma nova pergunta e comentei:
- Não sei porque, não gosto muito deste país...
- Oh, porque você não gosta da Moldávia?
Então, era na Moldávia que estávamos. Mas, que diabos eu estaria fazendo ali?
- Nem sei te dizer. Eu gosto da Romênia, veja só...Mas, não da Moldávia.
O trem diminui a velocidade e se aproximou de uma cidade. Era a tal Maieq. Mas o que eu iria fazer naquele lugar? Ainda mais que não sabia falar muita coisa de romeno, ainda mais do romeno falado na Moldávia.
Peguei a minha maleta de mão. Sim, eu tinha uma. Na estação.entrei em uma espécie de foyer, onde havia algumas peças de arte expostas com inscrições em uma língua incompreensível que nem romeno era.
Notei uma banca de revistas e me aproximei para tentar encontrar alguma pista sobre a razão de estar em um país desconhecido, sem saber porque estaria ali nem como havia chegado. Observei os exemplares expostos e, para minha surpresa, estavam todos em português. Olhei para a placa de um carro que passava e estava escrito: "Maieq-BA". De repente, a paisagem mudou e eu parecia estar em uma pequena cidade do interior da Bahia. Comecei a perder os sentidos.
Desmaiei e acordei em um quarto de hotel, com a minha companheira de viagem ao lado, pronta a tirar sangue do meu pescoço com uma seringa. Segundo ela, para um exame detalhado e poder avaliar a minha saúde. Foi então que matei a charada e descobri que estava apenas sonhando. Não existia Maieq alguma nem aquela paisagem romeno-baiana, nem sequer a minha draculosa companheira solitária de viagem.
- Pode tirar o sangue. Eu sei que é um sonho.
Ela riu e apenas concluiu seu trabalho. Pediu que eu descansasse e disse que logo estaria de volta. Mesmo um pouco atônito, acabei pegando no sono.
Acordei com o despertador gritando que já era tarde e que havia perdido a hora para o trabalho. Passei a mão no pescoço e senti um pequeno caroço. Era a marca da agulha da misteriosa partner do meu sonho.




